MUJERES QUE VIAJAN A DEDO – As mulheres devem se privar de fazer carona?

– Por Verônica Bem –

Verônica tiene 25 años es  estudiante de posgrado. Siempre le gustó viajar, pero hace apenas dos años comenzó a viajar como mochilera y de “carona” (haciendo dedo), en un viaje por el litoral de Uruguay.

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Compartilhando com caroneiras e caroneiros minha última experiência na beira da estrada – e as cômicas lições que daí pude tirar – aproveito pra fazer uma breve reflexão. Coloco em discussão um tema muito importante no mundo das caronas (e não menos importante nos demais espaços): as relações desiguais de gênero.

Eu já fiz várias caronas na beira de estrada, e todas foram demais! Mas nunca fui sozinha, e sempre planejei a viagem, sem descuidar de facilitar o processo: levando uma mochila bem presa às costas, usando roupas largas e confortáveis, e passando bastante protetor solar. Porém, na última vez foi um pouco diferente.

Voltando de uma longa estadia no Uruguai, dei um jeito nos meus compromissos na cidade onde moro, e logo planejei uma viagenzinha à casa dos meus pais (a 140 km). Enrolada que sou, depois de voar de taxi por ruas alternativas e pagar o taxista sem nem esperar o troco, ainda cheguei em cima da hora na rodoviária pra pegar o ônibus das 13:30. Comprei a passagem e subi correndo pro box. Surpresa: o ônibus já tinha se arrancado!

Nada contente, voltei pro guichê pra tentar um próximo horário, mas só tinha às 21 hs. Só de pensar em voltar pra casa, depois de toda a correria e gasto com taxi, e só chegar na cidade dos meus pais à meia-noite… não! Nem pensar! Logo me ocorreu “Vou pra ruta!”. Hesitei quando me dei conta que, não sei por que cargas d’água, dessa vez eu estava indo com uma mala de rodinhas, e não com uma mochila. “Coisa mais estranha pedir carona com mala de rodinhas! Ninguém vai parar pra mim!”, pensei. Além disso, lembrei de todas as recomendações, advertências e histórias “mal assombradas” sobre mulher pegando carona sozinha. “É perigoso, é perigoso”.

Assim mesmo, tomei um ônibus urbano direto para o trevo e me fui. Lá me parei com aquela mala de rodinhas (desnecessária!), puxei umas folhas de rascunho que tinha comigo, e escrevi bem grande e bem riscado com caneta Bic o meu destino. No lugar estavam mais dois homens esperando carona. Todos os três íamos para cidades diferentes. Depois de buzinas e alguns gritinhos de imbecis machistas (Claro, mulher na beira da estrada ta pedindo pra ser desrespeitada!) – consegui minha primeira carona. Algo que me chama atenção é que para os outros rapazes não parou nenhum veículo nesse meio tempo, mesmo que seus destinos estivessem mais próximos que o meu. Nesse caso, possivelmente prevaleça a ideia de que “a mulher é mais inocente, oferece menos risco”. Por fim, com duas caronas muito legais e uma caminhadinha de pouco mais de 1 km na subida (essa sim, nada agradável), cheguei ao meu destino.

Uma lição: nunca mais sairei com mala de rodinhas, a menos que eu tenha certeza absoluta de que não farei carona. É bizarro! E é bem difícil sair correndo quando o carro pára.

Um questionamento: será que realmente as mulheres devem se privar de fazer carona, porque “é perigoso”?

Concordo que corre muitos riscos a mulher que pega carona sozinha – assim como acontece em muitas outras situações em que se opõe a normas e padrões. Mas tenho pensado nisso muito mais como uma questão moral, e de responsabilização da mulher pelo risco que sofre. Quando é considerado indecente que a mulher peça carona, obviamente se está produzindo um discurso que reforça a violência e oferece respaldo aos criminosos que a praticam.

Vejo uma diferença grande entre “ser perigoso mulher pegar carona” e o fato de que “muitas pessoas desrespeitam as mulheres que pegam carona”. Quero dizer, o desrespeito vem antes do perigo. Não é algo natural, não podemos tratá-lo como imutável. O desrespeito e a violência existem porque existem pessoas que os praticam – e um discurso social que o legitima -, e as mesmas devem ser denunciadas/responsabilizadas.

Acredito no dia em que não precisaremos viver essa não-liberdade das relações de gênero, e que todas as pessoas poderão praticar caronas em paz. E que nesse dia, a decisão por dar carona não tenha nada a ver com os estereótipos, mas sim com a empatia, a solidariedade, e o espírito aventureiro. Pra isso, nós mulheres precisamos estar preparadas pra nos defender tanto dos atos quanto dos discursos violentadores, e muito bem informadas sobre nossos direitos. Desse modo, irmos pro asfalto com nossas placas e o polegar esticado, até que hajam tantas mulheres quanto homens praticando carona.

Para ver la revista completa y descargarla, este es el link:

KAY PACHA 2: http://issuu.com/kaypacharevista/docs/kay_pacha_numero_2__posta  

Para ver otros números de la revista:

http://issuu.com/kaypacharevista

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2 comentarios sobre “MUJERES QUE VIAJAN A DEDO – As mulheres devem se privar de fazer carona?

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