PERMACULTURA – PELO CAMINHO

– Por Bruno García Tomáz

BRUNO GARCIA - PERMACULTURA 1Não vou falar do que fica pra trás, ou de qualquer renúncia.
Não há abandono, não há sacrifício, não há desistência.

Os melhores caminhos, bem sabem os que viajam por gosto, passam por diversos terrenos. A sensação da chegada à praia é mais prazerosa quando se saiu, horas antes, do calor da capital. Afinal, se viajamos, é pelo incomum, pelo estranho, pelo desconhecido, pelo mistério.

No percurso deixamos paisagens pra trás, mas nem por isso elas são negadas, esquecidas ou odiadas. Não mais que isso, são terras que ficaram no caminho. Se não agradaram, há gente de praia e há gente de neve, simplesmente passamos, aproveitando o que for possível tirar de bom dali. Mesmo que não queiramos voltar, não há porque excluir fotos ou lembranças. Elas são sempre partes importantes de nossa jornada, até mesmo as piores delas.

BRUNO GARCIA - PERMACULTURA 2

Na grande verdade, em nossas viagens nem sempre, ou quase nunca sendo sinceros, os destinos mais indicados são os que mais nos agradam. Os monumentos turísticos costumam ser tão lindos e impressionantes como lotados e absurdamente caros. A melhor refeição do dia pode ser um PF comprado no boteco, e não a lagosta servida no terraço. Conhecer é bom, muitas vezes importante, mas gostar não é obrigatório.

Por tudo isso, não estou “chutando o balde”. Não estou “largando tudo”, como muita gente ainda diz. Por “tudo”, entendo mais que um emprego, e minha vida não se resume a estabilidade de um salário.

Visitei aquilo que é quase o Corcovado da vida adulta. Tentei, e consegui boa parte, do que todos queriam em tempos de faculdade. Formei com emprego na minha área, que paga razoavelmente bem e me dá boa experiência, além de 2 ou 3 viagens internacionais por ano.

Constatei então que o monumento é mesmo bonito, até bastante imponente, mas, pessoalmente, não me chamou a atenção. Pra admirá-lo tem sido preciso fazer um trabalho que não me inspira, em troca de um dinheiro que não me tem sobrado tempo pra gastar. Tenho precisado ficar cego a meus próprios valores para defender os daqueles que me pagam. Tem me saído custoso viver na lógica moderna, me cercando de bugigangas caras de que nunca precisei, mas que parecem provar, pra mim e pros outros, que consegui algum sucesso nessa coisa louca toda.

Essa parte do caminho, enfim, não me agrada, e por isso, com todo respeito aos que encontram aqui a felicidade, sigo a estrada. Busco valores que estão em outras bandas, tenho metas que não podem se cumprir aqui, não me vejo feliz nesse lugar.

Passo agora a transitar paisagens mais naturais, bem mais ligadas às origens humanas, de pé na terra e água fria, que aos delírios modernos de prédios e deliveries. Não digo que é o único, o melhor, ou o caminho mais adequado pra ninguém. Digo, com segurança, que me parece o melhor e mais adequado caminho para mim.

Não sei em que tipo de destino vou parar, mas sei que todas as viagens um dia terminam. Só tenho a certeza de que por um ano, ou pouco mais que isso, vou procurar ao longo da estrada a saída que preciso. Atendo meu desejo antigo de “mochilar” pela América Latina, e busco conhecimentos que me aproximem da estrada certa pra tomar.

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Começo pela Bolívia, onde vim cumprir as últimas obrigações de minha “vida antiga”. Daqui, o plano é passar pelo Peru, Equador, Colômbia e Venezuela antes de voltar pro Brasil. Entrar então no meu país pela floresta Amazônica, passar pelo sertão nordestino, descer o litoral baiano e carioca, e enfim voltar ao interior mineiro.

No caminho, passo rápido por alguns lugares e dedico mais tempo a outros, sempre em busca de experiências que me permitam aprender, conhecer, trabalhar com o que me aproxima da Mãe Terra e de todas as relações: A agricultura, especialmente a orgânica, que ensina a arte de aproveitar a generosidade infinita de Pachamama para a produção de nosso alimento sagrado; A Permacultura, que nos mostra como a natureza é sábia e o quanto seus movimentos podem nos ensinar; E a Bioconstrução, que alia nosso conhecimento aos do mundo natural para mostrar que podemos ser mais livres que imaginamos, serão meus principais professores.

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A busca por autoconhecimento será outro guia de minha jornada. Afinal, só eu mesmo posso saber que caminho devo seguir, e só poderei tomar decisões realmente acertadas se me conhecer profundamente. Devo saber identificar a voz de meu ego e evitar que me influencie de forma negativa.

As práticas tradicionais milenares, ainda tão presentes e fortes em muitos dos locais por onde vou passar, são a ferramenta principal dessa busca. As tradições xamânicas e suas medicinas ancestrais tem me ajudado já há algum tempo na tarefa constante que é a busca do conhecimento de si e do mundo, e cofiarei nelas ainda mais agora.

Buscarei aprender com cada ser que cruzar meu caminho. Cada pessoa, cada animal, cada planta, cada rocha tem muito a transmitir, se soubermos escutar. Assim, nunca estarei realmente sozinho na caminhada, tenho o mundo inteiro dentro de mim.

Aprende muito mais aquele que ensina. Não poderia ser egoísta e guardar comigo toda a experiência. Aproveitando a capacidade que tem as tecnologias para nos aproximar, compartilharei tudo o que for possível por aqui. São bem vindos a curtir essa página todos aqueles que se viram em alguma linha desse texto, e que comigo compartilham mesmo que uma pequena parte desses interesses. Assim espero poder ter ainda mais oportunidades de aprender, com a contribuição do que cada um trouxer, e levar um pouco desses novos conhecimentos a quem se interessar.

Tenho enorme gratidão ao universo, a meus guias físicos e espirituais, e às minhas raízes, que me permitem tomar essa decisão. Todos os privilégios que tenho, pretendo retornar em boas ações e vibrações.

Mitakuye oyasin. Somos todos um.

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A página Pelo Caminho foi criada pra narrar uma viagem de um ano pela América do Sul, conhecendo iniciativas, aprendendo e trabalhando como voluntário em projetos de agricultura orgânica, permacultura e bioconstrução. A idéia é aprender o máximo possível nesse tempo, fazendo do trajeto o começo de todo um caminho novo pra seguir depois…

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Edição e revisão: Hugo Zapparoli e Julieta Cal

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