ENTREVISTA – Uma volta ao mundo com Kívia Mendonça

– Por Kívia Mendonça Costa

Saara

Deserto do Saara

Ela viajou por 13 meses, conheceu uns 40 países e completou sua volta ao mundo com sucesso. Quantas pessoas você conhece que já fizeram o mesmo? Quantos de nós queremos seguir o mesmo caminho? Histórias como a da Kívia podem ser o primeiro grande incentivo para as nossas próprias trajetórias.

– Que motivos você teve para se jogar em uma viagem tão longa? Encontrou outras pessoas fazendo o mesmo?

Acho que uma volta ao mundo é o sonho da maioria que gosta de viajar, e comigo não era diferente. Antes da minha partida, não conheci ninguém que tinha feito algo assim.

– Como surgiu a ideia do roteiro? Você fez um roteiro ou prefere algo mais espontâneo? Como você se preparou para essa viagem?

Eu tinha uma lista dos países que queria visitar, mas não das cidades ou lugares. Isso eu só decidia na medida em que caminhava e ouvia outros viajantes. Uma volta ao mundo é uma maratona.

– Como você sustentou economicamente a sua viagem? Que tipo de economias você fez antes e durante a viagem?

Com as economias da vida toda.

3572339_orig

– Boa parte da sua viagem foi realizada de carona. Como você entrou nesse mundo? Você tem uma técnica específica para convencer os motoristas a te darem carona? Se sim, que técnicas são essas?

Viajo de carona desde criança com a minha mãe. Não tem técnica. É tão simples quanto o senso comum imagina: ir pra estrada, para o posto de gasolina e esperar.

– O que a sua família e seus amigos acharam da sua viagem? E as pessoas que você encontrou no caminho?

Minha família achou muito legal, os amigos mais próximos, idem. Os conhecidos se dividiram entre me achar louca e a inveja branca. Muitas pessoas que encontrei acharam demais, que eu estava realizando o sonho de muitos, mas para mim era só um dia após o outro.

Bocas del Toro - Panamá

Bocas del Toro – Panamá

Cairo, Egito

Cairo – Egito

Semuc Champey - Guatemala

Semuc Champey – Guatemala

Ushuaia

Ushuaia – Argentina

– Qual é o seu perfil como viajante, o que você busca quando pega a estrada?

Nenhum! Detesto rótulos! Tem dia que estou com qualquer blusa de político que alguém me deu, toda suja de pó de asfalto, cabelo ensebado. Tem dia que estou de vestidão decotado, toda maquiada pra balada. Morei num monastério budista no Nepal, conheci as discotecas chiques de Cancún, de São Francisco, de Seul. Teve dia que almocei em restaurante gourmet, teve dia que comi com refugiados sírios debaixo da lona deles. Eu gosto é de experiência, de todos os tipos.

– O que levou você a escrever um blog de viagens?

Sou jornalista e adoro escrever. Blogar é unir o útil ao agradável. Ajudar os outros a viajar e praticar minha paixão: contar histórias. Seja com palavras, seja com imagens.

Sebastian e Kívia

Sebastian e Kívia caroneando em Honduras

Nicole e Kívia em Chiang Mai -

Nicole e Kívia em Chiang Mai -Tailândia

– Sair para uma aventura dessas, sozinha, te proporcionou o quê? Que vantagens e desvantagens você percebeu em viajar sozinha e acompanhada?

Você tem a liberdade de ir onde te der na telha e é mais fácil conhecer pessoas, quando você está sozinha. Desvantagem … difícil. Pode ficar meio sem-graça, se você não interagir com ninguém. Também pode ser mais caro.

San Pedro de Atacama

San Pedro do Atacama – Chile

– O que mais te marcou nessa viagem?

Seguir em frente. Sempre. Não importa o que aconteça. Quanto mais você tenta caminhar livre por este mundo, mais você sente o peso das correntes. Tem que ser forte, tem que buscar sabedoria para solucionar os problemas e seguir.

– Nos conte uma experiência inusitada que você tenha vivido durante a viagem e com a qual você tirou alguma lição.

O misticismo e os milhares de templos de Bagan.

Qasr Farafra - Egito

Qasr Farafra – Egito

– Antes da sua volta ao mundo, que outras viagens você fez desde que colocou a mochila nas costas e o pé na estrada?

Muitas. Viagens pequenas pelo brasil. Mochilão pela América do Sul, mochilão pela Europa. Um mês sabático na Colômbia. Curta temporada na Itália e nos EUA, a trabalho. Intercâmbio universitário na Alemanha.

– Depois de um pouco mais de um ano viajando, que você fez e/ou o que pensa em fazer? Sei que você está na Grécia agora. Quais são os planos?

Estou escrevendo um livro sobre a volta ao mundo e cuidando do projeto Kiviagem, além de fazer freelas de jornalismo e tradução.

Mar Morto, Israel-Palestina

Mar Morto – Israel/Palestina

Sobre ela…

Kívia Mendonça, tenho 28 anos, venho de Bom Despacho, interior de Minas Gerais, perto de BH. Filha de gente simples, três irmãos, sempre estudei em escolas públicas da minha cidade. Sou formada em jornalismo pela USP. Trabalhei em diversos veículos da imprensa, desde os 18 anos. Falo seis idiomas (ingl, port, esp, francês, alem, ita) com fluência. Só conheci o mar aos 18 anos, que foi quando comecei a trabalhar e a viajar. Nunca tive ajuda de bolsa de estudos, nem qualquer patrocínio para minhas viagens. Exceto por um empréstimo com meus pais para pagar a primeira viagem, todo o resto foi financiado na base de muito trabalho e economia. Não sou e nunca fui rica, mas sei guardar dinheiro. Gosto de ler sobre tudo, fotografar, conhecer gente interessante, ouvir e contar histórias.

Siga o Kiviagem no Blog.

Siga o Kiviagem no Facebook.

………………………………………………………

Entrevista, revisão e edição : Ellen Queiroz 

…………………….

  • ¿Querés colaborar con la Revista Kay Pacha? Podés compartir tus experiencias o unirte al grupo de Voluntarios de Kay Pacha. Mandá un e-mail a kaypacharevista@gmail.com
  • Seguinos en Facebook.
  • Seguinos en Twitter.
Anuncios

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s