AUTOSTOP – Uma flor itinerante (PT-ES)

Janaína Rocha

1Kay Pacha: O que te fez querer viajar? Por que, dessa vez, você decidiu ir sem dinheiro?

Janaína: Fiz a primeira viagem longa em 2013. Foram cerca de 3 meses em Natal e Pernambuco, numa época perfeita para conhecer o nordeste: Carnaval. Odiava Carnaval até pisar em Olinda!

Para desfrutar tanto tempo na estrada, faltei um mês inteiro na faculdade. Consegui recuperar o tempo letivo, mas voltei frustrada porque queria ter viajado bem mais. Foi uma viagem diferente desta porque tinha um dinheiro para me virar, não pegava caronas, não estava sozinha.

Ao retornar a São Paulo, minha cidade natal, vi minha faculdade entrar em greve. Estava bem frustrada, voltei para estudar e não podia por conta da gestão da universidade. 2014 já começou em greve! Então, decidi viajar.

Não escolhi viajar sem dinheiro, eu FIQUEI sem dinheiro! Nos primeiros meses conseguia viajar sem trabalhar porque utilizava Couchsurfing e, com o que eu tinha, conseguia custear minhas despesas. Mas sempre trabalhei para sustentar minha viagem.

Una flor itinerante

KP: ¿Qué te hizo querer viajar? ¿Por qué decidiste viajar sin dinero?

Janaína: El primer viaje largo lo hice en 2013. Fueron cerca de tres meses en Natal y Pernambuco, en una época perfecta para conocer el Nordeste de Brasil: carnaval. Odiaba el carnaval ¡hasta que pisé Olinda!

Para poder disfrutar tanto tiempo en la ruta falté un mes entero en la Facultad. Luego logré recuperar el ciclo lectivo, pero volví frustrada porque hubiera querido viajar mucho más. Esa vez fue un viaje diferente porque tenía un dinero ahorrado para arreglármelas, no viajaba a dedo, no estaba sola.

Al volver a Sao Paulo, mi ciudad natal, mi Facultad entró en huelga. Estaba muy frustrada, volví para estudiar y no podía por culpa de la gestión universitaria. ¡2014 había comenzado con paros! Entonces decidí viajar.

No elegí viajar sin dinero, ¡me quedé sin dinero! Los primeros meses conseguía viajar sin trabajar porque utilizaba Couchsurfing y, con lo que tenía, conseguía costear mis gastos. Pero siempre trabajé para sustentar mis viajes.

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KP: Praticamente, toda a sua viagem está sendo realizada de carona. Como foi que você começou a praticar esta forma de viajar?

Janaína: Comecei a gostar de caronar caronando. Descobri um mundo completamente diferente. A imagem do caminhoneiro é muito distorcida. Como sempre, fui muito bem tratada por eles, comecei a relatar as caronas, 95% são em caminhões! Viajando sozinha, não costumo pedir carona em carros. Não gosto de insistir, por isso acabo preferindo ficar na pista mesmo.

A única técnica é escolher um bom lugar para pedir a carona: rodovia com acostamento largo, onde um caminhão grande possa parar sem riscos; pista plana, com boa visibilidade; mochila à vista e sorriso na cara.

KP: Prácticamente todo tu viaje lo estás haciendo a dedo ¿Cómo fue que se te ocurrió practicar esta forma de viajar?

Janaína: Hacer dedo me comenzó a gustar viajando a dedo. Descubrí un mundo completamente diferente. La imagen del camionero está muy distorsionada. Como siempre, fui muy bien tratada por ellos, empiezo a recordar esos momentos me doy cuenta que el 95 % de los vehículos en los que viajé a dedo han sido camiones! Cuando viajo sola no acostumbro parar carros. No me gusta insistir, por eso al final prefiero quedarme en la ruta. 

La única técnica es escoger un buen lugar para hacer dedo: ruta con banquina amplia donde un camión grande pueda parar sin riesgos; ruta plana, con buena visibilidad, mochila a la vista y sonrisa en la cara.

KP: Como surgiu a ideia do roteiro? Tem um roteiro?

Janaína: Não tem roteiro, rs. A ideia era começar pelo nordeste, seguir pelo norte, ir até a Colômbia por Tabatinga. Depois, o destino mudou para Venezuela. Por fim, desisti de planejar, a viagem se forma e se deforma ao caminhar. 

KP: ¿Cómo surgió la idea del recorrido? ¿Tienes un itinerario?

Janaína: No tengo itinerario. La idea era comenzar por el Nordeste de Brasil, seguir por el Norte, ir hasta Colombia por Tabatinga. Después el destino cambió por Venezuela. Finalmente desistí de planear, el viaje se forma y se deforma al caminar.

KP: Como você sustenta economicamente a sua viagem? Que tipo de economias você fez antes e faz durante a viagem?

Janaína: Aprendi a “fazer dinheiro” quando comecei a dormir em campings (uma opção que gosto muito pela convivência com outros viajantes e pela liberdade que tenho em ter meu espaço).

Para sustentar a viagem, vendi brigadeiro, calcinha, artesanato e trabalhei em restaurantes de praia. Gosto de trabalhar viajando, tenho liberdade de me sustentar e gastá-lo como quiser (seja em biquinis ou em passeios).

Saí de casa com um dinheirinho até “pegar o jeito”. Não faço economia nenhuma! Se tenho 50 reais e acho prudente gastar em uma noite de hotel porque não aguento mais carregar a mochila, gasto tranquilamente. Depois vejo o que faço.

KP: ¿Cómo sustentas económicamente tu viaje?

Janaína: Aprendí a “hacer plata” cuando comencé a dormir en campings (una opción que me gusta mucho por la convivencia con otros viajeros y por la libertad que tengo de tener mi espacio).

Para sustentar mi viaje vendí brigadeiros, ropa interior (bragas), artesanías y trabajé en restaurantes de playa. Me gusta trabajar viajando, así tengo la libertad de sostenerme y de gastar mi dinero como quisiera (ya sea en biquinis o en paseos).

Salí de casa con un poco de dinero hasta aprender. No sé ahorrar. Si tengo 50 reales y me parece prudente gastarlos en una noche de hotel porque ya no aguanto cargar la mochila, los gasto tranquilamente. Después veo lo que hago.

The most important thing is to not stop questioning. (2)

KP: O que a sua família e seus amigos acham da sua viagem? E as pessoas que você encontra pelo caminho?

Janaína: Minha família acompanha pela página (Pela Estrada Aflora) e por cartas que vou enviando. Gosto das cartas! É um contato mais íntimo, envio fotos… Eles gostam, mas se preocupam muito comigo e com o meu futuro. Meus amigos reclamam da saudade! Sinto cada vez mais a falta deles. Viajando não temos amigos, os laços são superficiais e passageiros, embora significativos. É comum encontrar pessoas que acham que eu sou hippie, andarilha (odeio esse termo), que vago sem rumo…

Em um dos últimos posts, você falou da crise dos 7 meses. Depois de todo esse tempo viajando, qual era o seu perfil como viajante no início e agora? O que você buscava quando pegou a estrada e agora? O que você encontrou?

Viajei um trecho com um italiano que estava a 7 meses longe de casa, em crise. Quando completei os tais 7 meses de estrada, fiquei completamente cansada. Não tinha vontade de conhecer nada nem ninguém, precisava de mais tempo para me adaptar aos lugares. Chegava na cidade e queria ficar, ter uma casa, uma rotina. Estava com muita saudade dos meus amigos, vi muitas coisas acontecendo na minha ausência… Comecei a viagem como uma turista: queria conhecer todos os lugares, pessoas, pontos turísticos, tinha muita disposição, gostava de tudo! Mas viajar, acima de conhecer lugares, é um autoconhecimento. E, nesse processo, inclui também a construção e desconstrução da identidade, as crises pessoais, os anseios. Fui ficando mais exigente, prestando atenção em outros aspectos: como o espaço interfere na minha identidade, na estrutura social e política da cidade, projetos que poderiam ser desenvolvidos…

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O que levou você a escrever uma página acerca de sua viagem?

Comecei a página por influência do Leonardo Maceira, da página Os Lugares de Cada Um. Fomos juntos para Chapada Diamantina, e ele conseguia muita coisa pra gente por conta da página. Ele deu a sugestão. A página virou a extensão do meu diário de bordo, livro que escrevo diariamente desde o primeiro dia de jornada, de uma forma mais pessoal, íntima, sensível. Além disso, a página é uma comunicação com meus amigos e família.

O que mais te marcou até agora?

Fui muito tocada pela bondade das pessoas. Mas, acima de tudo, viajar acompanhada me tornou uma pessoa melhor. Sentir-me bem ao lado de alguém, compartilhar a vida e a estrada, ter a mesma companhia em vários lugares. Ter a parceria do Alan foi a melhor dádiva de toda a viagem.

O que sair para uma aventura dessas sozinha te proporcionou? Que vantagens e desvantagens você percebeu em viajar sozinha e acompanhada?

Eu amo viajar sozinha! Tenho liberdade de escolher o que vou fazer, para onde vou. Aprendi a ganhar dinheiro, pegar carona, escambar, cozinhar, ser responsável por mim em todos os aspectos. Apesar de sentir-me sozinha, não queria viajar com ninguém. Viajar juntos também é morar juntos. Comecei a viajar acompanhada por acaso. Ele também já viajava sozinho antes, cada um vivenciou suas experiências e aprendizados. Hoje, prefiro viajar acompanhada. Gosto de ter alguém para compartilhar os lugares, planejar, rir do que passou… Além disso, tudo é muito mais fácil. Nossa parceria nos fortaleceu. Viajamos juntos, mas cada um tem sua liberdade e espaço, é claro.

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Você pensa em parar de viajar um tempo ou seguir? Quais são os próximos planos?

No momento, escolhi ficar os primeiros dias de janeiro com a minha família, por mais difícil que seja, tendo em vista que janeiro é o pico das férias. Ainda não sei quais são os próximos planos, quero viajar, mas também existem outras responsabilidades… Mas, um objetivo a ser realizado é viajar com um propósito. Um projeto social, um estudo sendo desenvolvido… Quero estudar, viajar e trabalhar ao mesmo tempo.

Nos conte uma experiência inusitada que você tenha vivido durante a viagem e com a qual você tenha aprendido alguma lição.

Olha, vivi muitas experiências inusitadas, tanto boas como ruins. Uma das mais legais foi pegar carona com filho de artista famoso (não posso contar quem é… rs). Mas nem tudo são flores. Tive meu computador e celular roubados, fiquei doente algumas vezes… Tudo é experiência e por fim traz um aprendizado. 

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Sobre ela…

Sou paulistana! E como jovem paulistana, sou apaixonada pelo lado cultural da cidade: cinemas, exposições, parques, festas de rua, bares… Tenho 24 anos. Estudo Ciências da Natureza numa boa universidade, e eu, que nunca tive pressa em me formar, desejo terminar logo a graduação para dedicar-me a outros projetos, outros estudos. Isso não significa, necessariamente, ter um lugar fixo, na capital. Quero estudar, trabalhar e morar, viajando. Criei asas, quero seguir itinerante!

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Entrevista, revisão e edição (Entrevista, corrección y edición)Ellen Queiroz 

Desenhista e traduçao (Diseño y traducción): Cecilia Hauff

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